Paixão por Melissa

Uma verdadeira paixão. Assim é o meu sentimento em relação às adoráveis Melissas. Um sentimento muito pessoal. Para mim, essas sandálias coloridas e perfumadas são sinônimo de pura alegria. Simples assim. Isso porque elas me trazem lembranças maravilhosas da minha infância e adolescência, quando eu e minha irmã ficávamos sonhando com os novos modelos. Como não amar as sandalinhas que vinham com uma bolsinha? E era sempre no final do ano, quando o 13º salário dava uma folguinha no orçamento, que nossos pais realizavam nossos primeiros desejos fashion. E ainda nem sabíamos o que era isso!

Também me lembram de momentos importantes de minha vida, já que estiveram no meu figurino em inúmeros deles. Na minha sonhada festa de dez anos usei um modelo vermelhinho, com uma fita que amarrava no tornozelo. Esta talvez tenha sido minha primeira sandália com saltinho. Era pequeno, mas para mim era o máximo! Em festas da escola, lá estava eu de Melissa. Eu tinha uma Melissa Furadinha azul clara, transparente, que usei muito. E o modelo que vinha com uma bolsinha? Um dos meus favoritos!

Já adulta, fui madrinha de casamento usando uma Melissa Doc Dog. Chiquérrima. Feminina. Retrô. Preta, flocada, com um laço de veludo e um salto fino e delicado… Eu mesma só não me casei com um belo par porque já tinha um modelo bem específico na minha cabeça!! E isso já é outra história…

 

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Melissa Doc Dog

Quando estava grávida do meu Lucca, fiquei apaixonada pela comemorativa Celebration, transparente, com glitter e salto branco. Nos últimos meses de gestação, em um verão intenso, com os pés inchados, estava usando um número maior do que o meu habitual. Mesmo assim, garanti meu par, no meu número. Nem pude experimentar. Só consegui usá-lo muito tempo depois!! Mas, ainda hoje está entre meus modelos mais queridos.

 

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Melissa Celebration

No batizado do meu filho, usei uma Melissa da linha Pequeno Príncipe, que ganhei de minha irmã, a madrinha e minha eterna cúmplice nesta paixão por sapatos. Há referência mais doce?

 

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Melissa Pequeno Príncipe

 

A minha história talvez não seja muito diferente de muitas meninas e mulheres brasileiras. Talvez essa relação emocional tenha ajudado a tornar a Melissa um verdadeiro ícone da moda brasileira. No início, era apenas uma sandália moderninha, por ser de um material pouco usual para um calçado. Também era barata e estava voltada mais especificamente para o público infanto-juvenil. Mas, com o tempo, suas consumidoras cresceram e a marca evoluiu com seu público, tornando-se muito mais abrangente. Agora, é pop, é moderna, é ousada, é sedutora. Sempre jovial. Mas, acima de tudo, é original.

A sandália Melissa foi criada em 1979 pela empresa gaúcha Grendene. Fundada em 1971 na cidade de Farroupilha, inicialmente fabricava embalagens plásticas para garrafões de vinho. Os irmãos Alexandre e Pedro Grendene tiveram então a ideia de investir em calçados feitos de plástico. Após algumas tentativas frustradas, desenvolveram o modelo Aranha, inspirado nas sandálias Fisherman usadas pelos pescadores da Riviera Francesa.

 

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Melissa Aranha 1979

 

O sucesso foi enorme. Nos primeiros 60 dias no mercado, foram vendidos cerca de 200 mil pares. Em um ano, foram 25 milhões. O modelo brilhou na TV e fez história nos pés de Júlia, personagem de Sônia Braga na novela Dancing Days, da Rede Globo.

 

 

Em 1982, a releitura do modelo Aranha, na versão Rock, que ao invés da fivela trazia um cordão para amarrar no tornozelo, também foi um grande sucesso. A marca tirou proveito do momento e passou a se inspirar nas tendências de moda de grandes centros como Paris e Nova York. Em 1983, fez suas primeiras parcerias com grandes estilistas internacionais, como Thierry Mugler, Jean Paul Gaultier, Jacqueline Jacobson e Elisabeth Seneville. Assim, a Melissa ganhou o mundo.

Em 1984, a Grendene criou a versão infantil da marca, a Melissinha, que marcou época com campanhas de grande sucesso. Cada modelo vinha com um brinde: uma bolsinha, uma pochetezinha ou um reloginho. E era assim mesmo, no diminutivo, que o produto era apresentado em sua divulgação.

Após um período de estagnação, a Melissa foi reformulada em 1994. Em 1998, a empresa criou uma divisão para cuidar especificamente da marca. Com um novo posicionamento de marcado, voltou a crescer nos anos 2000, quando garantiu seu espaço definitivo no mundo da moda internacional. Novas parcerias foram firmadas com estilistas renomados, como Alexandre Herchcovitch, Fernando e Humberto Campana, Karl Lagerfeld e Judy Blame, entre outros.

 

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O estilista alemão Karl Lagerfeld e uma de suas criações para a Melissa

 

Entre as parcerias da Melissa, minha preferida é com a estilista inglesa Vivienne Westwood, responsável pela linha Lady Dragon. O modelo Fluffy, de salto alto, com um pompom, ao estilo Tinker Bell, está entre meus desejos de consumo. Mas, infelizmente, nunca o encontrei em minha numeração…

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Melissa Fluffy – desejo pessoal de consumo

Em 2007, a marca foi citada no jornal The Washington Post Brazilian Jelly Giant. Em 2008, foi tema de meia página na coluna da editora Suzy Menkes, do International Herald Tribune. Neste mesmo que a marca lançou sua primeira campanha internacional com anúncios em revistas e um site exclusivo para esse mercado.

Ao longo de sua história, a Melissa já criou mais de 500 diferentes modelos e hoje exporta para mais de 80 países.

Sobre Ana Bernardinelli

Quem sou eu? Pergunta difícil, até porque ainda não encontrei a resposta. Mas, uma certeza é que desde muito cedo soube que queria escrever. Sobre tudo. Dos tempos em que brincava de “fazer jornal”, com o meu fictício “O Linguarudo”, até meus textos adolescentes em “Penúltima Palavra – porque a última é sempre da diretora”, o periódico da escola, fui confirmando meu desejo. Ainda cursando Jornalismo na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, no coração da sempre incrível Av. Paulista, comecei a trabalhar na área. Já formada, passei por emissoras de rádio FM e AM. Também trabalhei em revistas – de automóveis, brinquedos e variedades, além de prestar serviços para empresas e entidades de classe com textos corporativos. Nos últimos anos, fui repórter do mais importante semanário da Zona Norte de São Paulo. Apaixonada por história da arte, cultura pop, música, cinema e literatura, tenho ainda um grande vício. Sim, confesso: sou sapatólatra. Em estágio avançado. E sem esperanças de cura. Simplesmente não resisto ao desejo de buscar novidades e curiosidades sobre este objeto que ultrapassa sua definição e se mistura com tantas emoções. Porque por trás de um belo par de sapatos, há sempre uma grande história. Aqui, no entanto, está a minha terapia! Vocês agora são meus convidados para esta aventura fashion! Ana Bernardinelli

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